09.01.2026 às 09:28
Karina Campos, Murilo Medeiros Midiamax
Funcionários da Santa Casa de Campo Grande aprovaram o indicativo de paralisação na manhã desta sexta-feira (9). A reivindicação pelo atraso do salário referente ao mês de dezembro mobiliza cerca de 2,8 mil enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares e trabalhadores do setor administrativo.
Lázaro Santana, presidente do Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul), explica que 50% dos funcionários aderiram à paralisação nesta sexta-feira. Caso o pagamento não seja efetuado nas próximas horas, a previsão é de que 70% dos serviços sejam paralisados a partir de segunda-feira (12).
Conforme os sindicatos, cerca de 1,4 mil trabalhadores de cada setor participam da paralisação. A categoria afirma que só retornará às atividades normais após o pagamento integral do salário do mês e da segunda parcela do décimo terceiro salário.
A votação ocorreu no saguão do hospital, por volta das 8h. “Estamos mobilizados desde o fim do ano passado, quando a Santa Casa passou a não cumprir os prazos de pagamento. Hoje, além da parcela do 13º, os trabalhadores aguardam o salário, que venceu no dia 7”, afirma o presidente do sindicato.
Problema técnico
Já no fim do dia, os colaboradores receberam uma nota da Diretoria Financeira da Instituição. O texto informa que o atraso associa-se à falta de pagamento da Prefeitura de Campo Grande, que não ocorreu por problema técnico no sistema.
“Conforme informado, os valores já estão disponíveis, porém houve um problema técnico no sistema que impediu a transferência imediata. A Prefeitura assegurou que o depósito será efetuado até amanhã. Assim que os recursos forem creditados na conta da Santa Casa, a folha de pagamento será liberada e quitada imediatamente aos colabores”, destaca o posicionamento.
A equipe de reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande e aguarda retorno. O espaço permanece aberto para futuras manifestações.
‘Falta de respeito, desvalorização’
Há quatro anos trabalhando no hospital, a técnica de enfermagem Rafaela Luz desabafa sobre a frustração causada pelos recorrentes atrasos salariais. Apesar de ser contra a paralisação, ela protesta em defesa dos direitos trabalhistas.
“É uma falta de respeito. Trabalhamos corretamente durante os 30 dias, batemos ponto e não recebemos. Temos que fazer mídia toda vez, nos expor, deixar o paciente desassistido. Isso aqui está um caos. A população ainda não enxerga que quem está do lado essencial somos nós”, relata.
“Está realmente desgastante trabalhar na profissão. Eles [hospital] abrem processos seletivos, concursos, mas para quê? Somos desvalorizados, desrespeitados. Aqui não há pagamento na data correta para ninguém: enfermeiros, médicos, assistentes, colaboradores da limpeza, da copa”, completa.
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