02.09.2025 às 09:17
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Com identidade regional e forte ligação aos saberes tradicionais, o artesanato de Mato Grosso do Sul vem conquistando mercados, gerando renda e se consolidando como pilar da economia criativa no Estado. Hoje, mais de 8 mil artesãos estão cadastrados, e cerca de 4 mil fornecem peças para a Casa do Artesão, em Campo Grande, vitrine da produção local.
Entre os nomes de destaque está Jane Clara Arguello, de Corumbá, referência na cerâmica artística desde 1991. Utilizando fibras, PETs e vidro em peças que retratam mulheres indígenas, negras e japonesas, ela transforma arte em memória e ferramenta de transformação.
A mestra tecelã Josefa Marques Mazarão, de Caarapó, também é exemplo dessa força. Desde 1997, ela utiliza lã de carneiro e tingimento natural para criar peças reconhecidas em feiras pelo Brasil. Já Rosenir Batista, da etnia Terena, mantém viva a tradição da cerâmica aprendida com a avó, produzindo peças hoje comercializadas até por grandes marcas nacionais.
Em 2024, as ações de incentivo do Governo do Estado, por meio da Setesc e da Fundação de Cultura, movimentaram mais de R$ 4 milhões em feiras, rodadas de negócios e vendas institucionais. Uma única feira pode render mais de R$ 300 mil em comercialização.
O setor também ultrapassa fronteiras. Parcerias levaram artesãos sul-mato-grossenses a feiras internacionais, atraindo compradores da China, Europa e Emirados Árabes. Ainda assim, muitos produtos seguem subvalorizados no mercado interno, reforçando a importância de políticas públicas para ampliar a visibilidade e valor das peças.
Mais que economia, o artesanato cumpre papel social e cultural: garante sustento, fortalece a inclusão de mulheres, jovens e indígenas, além de preservar saberes ancestrais. Cada peça traduz a história e a alma do povo sul-mato-grossense, colocando o Estado em destaque no cenário nacional e internacional.
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