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Notícias / Mundo

02.10.2026 às 07:40

Cientistas descobrem gelo em Marte e encontram algo surpreendente no polo norte

O gelo no polo norte marciano contém muito menos poeira do que se estimava até agora.

Redação Correio do Estado

O gelo no polo norte marciano contém muito menos poeira do que se estimava até agora. Uma pesquisa da Universidade de Washington revelou que o gelo exposto naquela região possui geralmente menos de 3% de poeira em massa, enquanto cálculos anteriores apontavam percentuais de até 25%.

A diferença importa porque a poeira escurece o gelo e altera a quantidade de luz solar refletida de volta ao espaço. Mais escuro, o gelo absorve mais calor e vaporiza mais rapidamente.

Fora dos polos, onde o gelo às vezes fica exposto, praticamente todo o gelo marciano está enterrado sob uma camada de poeira. Esses oásis de gelo limpo no polo norte registram a história climática do planeta — o mesmo tipo de registro obtido na Terra com amostras extraídas das calotas polares.

Como os cientistas descobriram a diferença

Aditya Khuller, pesquisador sênior do Laboratório de Física Aplicada da Universidade de Washington, e Pari Mohan, recém-formado em geociência pela mesma instituição, não coletaram novas amostras de gelo. Em vez disso, reexaminaram medições já existentes do pouso da Phoenix, da NASA, e de instrumentos instalados em naves em órbita marciana.

O desafio de medir o gelo em Marte remonta a 2008, quando a Phoenix pousou perto do polo norte. Foi uma conquista importante depois que a sonda Polar Lander desapareceu nas proximidades do polo sul em 1999. A trincheira cavada continua sendo o único local do planeta onde o brilho do gelo exposto foi medido do solo.

A distância dificulta as medições: Marte nunca chega a menos de 55 milhões de quilômetros da Terra.

Um método que funciona melhor que o anterior

Khuller havia identificado um problema nos cálculos anteriores, e os pesquisadores usavam métodos desenvolvidos para estudar o solo lunar, mas, quando ele testou essa abordagem na Terra, os números não batiam.

Para o novo estudo, ele e Mohan refizeram os cálculos com métodos desenvolvidos por Steve Warren, professor emérito de ciências da Terra e espaço da Universidade de Washington. Esses métodos são usados há décadas no estudo da neve e do gelo terrestres.

Ao acompanhar as variações de brilho ao longo das estações marcianas, a equipe descobriu que a região funciona como um "sanduíche de sorvete": camadas alternadas de gelo mais sujo e mais limpo. No inverno marciano, forma-se uma geada mais poeirenta, e no verão, essa camada desaparece e expõe abaixo dela um gelo mais antigo e limpo.

 


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